quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Olhando bem dentro do meu olho

Já tinha passado das oito da noite quando ele chegou lá em casa. Tinha prometido trazer vinho e mais uma guria com ele. Chegou de mãos vazias, tímidas mas ligeiras, acariciando minhas costas já na entrada do prédio.

Por sorte, eu tinha uma garrafa de vinho fechada em casa. Por azar, eu ainda não tinha comprado meu abridor novo e juntos tivemos que dar um jeito de abrir aquilo com uma faca mesmo. Assim que chegamos na cozinha, minha gata apareceu por ali. Diferente do que já aconteceu com muitos caras, ele não se incomodou com a Lola e até brincou um pouco com ela. Contou dos dois gatos que tinha em casa e de como ele achava que as pessoas que tinham gatos eram mais confiáveis e maduras que as que eram donas de cachorros. Entre pedaços de rolha flutuando dentro das taças, som do apartamento do vizinho invadindo a minha casa e risadas nervosas, brindamos. Nessa hora eu já imaginava que a noite ia ser foda.

Ele era alto, charmoso, interessante e tava disponível a noite inteira pra mim. Nos sentamos cada um de um lado da bancada e tínhamos bastante assunto em comum. Falamos dos nossos autores preferidos, contamos um pro outro sobre nossas viagens e compartilhamos experiências anteriores que tivemos com outras pessoas com bastante naturalidade e interesse.

Foi quando nossas mãos se tocaram no ar que eu percebi que o vinho tinha acabado. Dei a volta por trás dele pra ver se achava outra garrafa pela cozinha. Como não achei, ia sentar de novo no meu banco pra gente pensar no plano B. Fui até o outro lado da mesa, contornando ele e passando a mão devagar pelo ombro dele.

Eu não tinha me sentado direito ainda quando ele chegou mais perto, me puxou pelo braço e me beijou. Me beijou com vontade. Já foi abrindo a minha camisa e pegando meus seios com força por baixo do sutiã. O tesão era tão grande que eu arranhava as costas dele com força com uma mão enquanto, com a outra, abria o zíper da calça dele. Nisso senti o pau enorme por baixo da calça, latejando de prazer. Queria tirar aquela camisa logo e sentir a pele dele colada na minha. Quando ele soltou meus lábios pra lamber o meu pescoço, eu chamei ele pra ir pra minha cama.

Fomos, nos agarrando. Um foi tirando a camisa do outro. Abrindo as calças. Sem parar pra nada. Liguei a luz em um só tapa contra a parede. Queria ver bem direitinho aquele cara. De cima a baixo. Reparar em todos os detalhes daquele corpo que, só de cueca, agora me pegava com força e me jogava de costas na cama.

Ele veio por cima de mim e, pro meu delírio, a boca dele foi direto no meu mamilo, com tanta vontade que quase arrancou o meu piercing. Devagarinho, ele foi descendo, mordendo a minha barriga, até chegar na minha calcinha. Só com a língua e com os dentes, ele foi tirando ela, que já tava bem molhada de tão excitada que eu tava. Ele deu uma só lambida bem demorada e molhada na minha boceta, que veio lá de baixo e foi subindo, passando pelo meu umbigo e pelo meio dos meus peitos até chegar no meu queixo com uma mordidinha que quase me fez gozar.

Eu já sentia o pau dele saindo pra fora da cueca, roçando no meu clitóris, quando a boca dele chegou bem perto da minha e, olhando bem dentro do meu olho, ele disse:

- Miau.

Hoje, se me perguntam se alguma vez eu já fingi que gozei, minto que não. E lembro desse dia.

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